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COM AVIAÇÃO NÃO SE BLEFA!

 Andar no fio da navalha, quem nunca o fez! Agora voar assim, poucos restaram para contar a história. Quantos voos mal planejados terminaram bem, quantos finais felizes poderiam ter se tornado tragédias, quanta sorte foi esbanjada por outros audazes pilotos, em suas peripécias! Eles jogavam as suas cartadas, como se num cassino estivessem.

Quisera eu não precisar relatar evidências de uma aventura aérea noturna, onde o final poderia passar desapercebido, se não houvesse a figura daquilo que chamaríamos de falta de sorte ou simplesmente azar!

Desculpe-me Miguel Quiroga, você era, mas não merecia ser tratado de Comandante. Você jogava bem, tinha a frieza daqueles que não tremem quando blefam numa rodada de pôquer. O seu universo era outro, você travava duelos com uma bala só, você voava com a lâmina da navalha em seu pescoço.

A sua experiência lhe tirou os limites, você tornou-se frio, desassombrado e, portanto, perigoso! Imagino até que você, Quiroga, vinha sentindo lampejos na sua consciência ao longo do voo, ao fazer o embaralhamento das suas cartas de baralho, esperando que o jogo lhe viesse favorável, e quem sabe você surpreendesse a banca com um Royal Straight Flush, ao final!

Mas o calafrio passageiro ou aquela contração no estômago faziam parte daquele jogo. Você não tremia a face diante do risco, você era um jogador! Contas você fazia muito bem, você blefava à meia luz, em ambiente esfumaçado. Sem suar a testa, você acostumou-se a alimentar-se de adrenalina, viciou-se!

Não quero crucificá-lo pela figura em que você se transformou, pois conheço o gosto amargo e a dor que você passou ao sentir que o jogo acabara e você havia apostado a vida. A aposta que você fizera fora alta e a cobrança estava ali, diante de você!

Porque você não abriu mão de jogar? Seria uma desonra demonstrar que perdeu? Não, foi pior, você acovardou-se naquele duelo de uma única bala, você demorou a sacar, foi abatido, tombou e sangrou!

Ninguém engana a tantos por muito tempo, ninguém aposta a vida e você foi egoísta acovardando-se diante de uma realidade, na contagem regressiva. Quando a morte lhe rondava, você fraquejou, me decepcionou.

Com você embarcaram sonhos e vidas, restaram tristeza e comoção; se não houve prioridade para o seu pouso em Medellin, com certeza você não pediu a tempo, sendo -lhe autorizado tardiamente uma alternativa não declarada no seu plano, infelizmente!! Descansem em paz !!Chapecoense!! #ForçaChape

Cmte. Ronaldo Marinho, Piloto de Linha Aérea


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